Retocele: Quando Procurar Ajuda e Quais São os Caminhos de Tratamento?

A saúde íntima feminina envolve diversos aspectos físicos, hormonais e estruturais, e um dos problemas que pode afetar significativamente a qualidade de vida das mulheres é a retocele. Embora seja uma condição relativamente comum, ainda é pouco falada e muitas mulheres convivem com os sintomas em silêncio, acreditando que sentir dor, dificuldade para evacuar ou pressão vaginal é algo “normal”. Não é.

A seguir, você vai entender o que é a retocele, quais são os sinais de alerta, como é feito o diagnóstico e quais são os principais caminhos de tratamento — desde medidas conservadoras até intervenção cirúrgica, quando necessária.

 

O que é a Retocele?

A retocele acontece quando há um enfraquecimento da parede entre o reto e a vagina, fazendo com que parte do reto forme um abaulamento em direção ao canal vaginal. Esse deslocamento cria uma espécie de “bolsa” onde as fezes podem se acumular, dificultando a evacuação.

A condição pode aparecer em diferentes graus, desde casos leves e praticamente assintomáticos até quadros mais avançados, capazes de gerar dor e grande impacto no dia a dia.

 

Principais Sintomas

Os sintomas variam de acordo com a intensidade da retocele, mas alguns sinais comuns merecem atenção:

  • 🚫 Alterações intestinais
  • Constipação frequente
  • Sensação de evacuação incompleta
  • Necessidade de fazer força excessiva para evacuar
  • Uso das mãos para auxiliar a saída das fezes (manobra de digitação)

 

⚠ Sintomas ginecológicos e pélvicos

  • Sensação de peso ou pressão vaginal
  • Abaulamento perceptível na região íntima
  • Dores pélvicas

 

❤️ Vida sexual afetada

  • Desconforto ou dor nas relações sexuais (dispareunia)
  • Sensação de corpo estranho na vagina

Se você percebe alguns desses sinais com frequência, é muito importante procurar um coloproctologista ou ginecologista com experiência em saúde pélvica.

 

Por que a retocele acontece?

Diversos fatores podem contribuir para o enfraquecimento da parede vaginal e do assoalho pélvico:

🤰 Gestação e parto

Partos vaginais, especialmente quando há bebês grandes, uso de fórceps ou lacerações, podem aumentar o risco.

🧬 Fatores anatômicos e genéticos

Algumas mulheres possuem maior predisposição ao enfraquecimento das estruturas pélvicas.

💪 Fraqueza do assoalho pélvico

O assoalho pélvico funciona como uma “rede de sustentação” dos órgãos internos. Quando está fragilizado, o risco de retocele aumenta.

💩 Constipação crônica

Forçar repetidamente para evacuar pode esticar e enfraquecer a região.

🕒 Envelhecimento e alterações hormonais

A queda dos níveis de estrogênio, principalmente após a menopausa, também contribui para alterações nos tecidos de sustentação.

 

Diagnóstico: como o especialista avalia?

O diagnóstico é clínico, mas pode envolver exames complementares conforme o caso. A consulta geralmente inclui:

  • 🔹 Conversa detalhada sobre sintomas e histórico
  • 🔹 Exame físico da região pélvica
  • 🔹 Toque retal e vaginal
  • 🔹 Exames como defecografia ou ressonância magnética pélvica, se necessário

Quanto mais cedo o quadro é identificado, maiores as chances de controlar os sintomas sem tratamentos mais invasivos.

 

Tratamento: o que pode ser feito?

O tratamento depende da gravidade da retocele e do impacto dos sintomas na vida da paciente. Cada caso é individual, e o plano terapêutico é definido pelo especialista, que pode indicar:

🥗 Mudanças no estilo de vida

  • Aumento da ingestão de fibras
  • Hidratação adequada
  • Atividade física regular
  • Evitar esforço excessivo ao evacuar

 

🧘‍♀ Fisioterapia Pélvica

  • É uma das principais abordagens para casos leves e moderados. A fisioterapia ajuda a:
  • Fortalecer o assoalho pélvico
  • Melhorar o funcionamento intestinal
  • Reduzir sintomas de dor e pressão

 

💊 Tratamentos auxiliares

Podem incluir laxativos suaves orientados por um especialista, para facilitar a evacuação sem esforço.

 

🔧 Cirurgia (em casos selecionados)

Recomendada quando os sintomas são intensos ou não há melhora com as medidas conservadoras. O objetivo é corrigir o abaulamento e restaurar a anatomia funcional da região.

 

Retocele tem prevenção?

Algumas medidas ajudam a reduzir o risco ou evitar a progressão:

  • ✔ Manter hábitos intestinais saudáveis
  • ✔ Evitar esforço excessivo para evacuar
  • ✔ Tratamento adequado da constipação crônica
  • ✔ Fortalecimento do assoalho pélvico, especialmente após o parto
  • ✔ Acompanhamento ginecológico e coloproctológico regular

 

Quando procurar ajuda?

Procure um especialista se você percebe:

  • ➡ Constipação frequente e sensação de evacuação incompleta
  • ➡ Necessidade de usar as mãos para auxiliar na evacuação
  • ➡ Peso, pressão ou desconforto vaginal
  • ➡ Dor pélvica ou incômodo nas relações sexuais

Não normalize esses sintomas. Cuidar da sua saúde íntima é cuidar da sua qualidade de vida.

 

A retocele é uma condição comum, mas muitas vezes silenciada por vergonha ou falta de informação. No entanto, com diagnóstico adequado e tratamento direcionado, é possível recuperar o bem-estar, reduzir a dor e retomar a confiança no próprio corpo.

Se você se identificou com os sintomas descritos, procure um coloproctologista. Conversar sobre o que está acontecendo é o primeiro passo para um tratamento eficaz e uma vida com mais conforto e saúde.